Esse final de semana eu decidi assistir ao live action do Blue Lock, uma obra de 2018 que teve uma adaptação em anime em 2022. O filme lançou no mês passado no Japão, e pensando nisso eu até achei que trouxeram rápido aqui para o Brasil. Obrigada Sato Company.
Eu fui numa sessão num sábado à noite, e a sala estava surpreendentemente cheia. Sinceramente eu não entendi por que no primeiro momento, até porque eu não conhecia muito do elenco além do Fumiya Takahashi — que diga-se de passagem, foi o motivo de eu ter ido assistir esse filme. Depois eu descobri que aparentemente tem um cara muito famoso de um grupo que eu não conheço que fez um dos personagens. Vou falar dele mais para frente.
Até aí, tudo bem. Para quem assistiu ao anime, a coisa não muda muito. Ele segue o começo da história, mostrando o Isagi (Fumiya Takahashi) sendo escolhido para participar do Blue Lock — a famigerada seleção para encontrar o atacante perfeito que será o novo artilheiro da seleção japonesa.
Até onde eu lembro, literalmente tudo nesse filme é igual ao anime. Claro que, por ser um filme de 2 horas, várias coisinhas aqui e ali foram enxugadas, mas no geral eles conseguiram manter uma boa continuidade até chegar na primeira partida entre o time Z e o time V. O filme vai até aí e pelo jeito que acabou, dá até a entender que pode ter um segundo longa com a continuação direta.
Eu só tenho o anime como base de comparação, e para mim, o filme conseguiu beber bastante dessa fonte. Isso claramente poderia ser um problema? Com certeza, ainda mais considerando que o anime tem todos aqueles efeitos visuais e etc. Mas sinceramente, para mim o Blue Lock é isso aí mesmo, então isso não foi um problema. Claro que fica engraçado você ver toda aquela análise interna dos personagens, os raios saindo dos olhos e tudo mais, mas eu gostei e achei divertido.
Eu achei bem interessante, apesar do filme basicamente replicar o que aconteceu no anime, mesmo assim ele ainda conseguiu me dar a mesma sensação de quando eu assisti os episódios. No fim, eu acabei sim torcendo — silenciosamente — pelo time Z durante as partidas.
Foi uma imersão bem maior do que eu imaginei que seria para um filme desse tipo, mas acho que tem um mérito nisso, porque se eu não estiver errada, os atores treinaram de verdade para poder jogar as partidas. E é um filme sobre jogar futebol, então se isso não for feito de um modo minimamente bom, basicamente não tem filme. Mas exatamente por isso que deu pra sentir o esforço dos atores lá.
Outra coisa, mas isso é mais em relação à legenda mesmo, é que eles adaptaram algumas piadas em português e eu particularmente gostei disso. Claro, isso é uma coisa bem mais pessoal, mas me fez soltar umas risadas durante a sessão.
Em relação aos atores, eu basicamente só conhecia mais o Fumiya Takahashi por acompanhar ele em alguns outros doramas e tal, mas eu achei que ele cumpriu bem o papel dele como o Isagi. O Kyohei Takahashi também ficou muito bom como o Chigiri — digo isso, porque eu amo o Chigiri do anime, então eu fiquei um pouco na expectativa — e eu até fiquei torcendo por ele tanto quanto eu torci na animação. A cena dele se libertando das correntes foi maravilhosa.
E um outro ator que eu tenho que dar um crédito também, porque eu até fiquei meio assustada, foi o Masataka Kubota, que atuou como o Jinpachi Ego — o criador do projeto do Blue Lock dentro da história. Não sei se sou eu, mas eu juro que eu até achei a voz dele um pouco parecida com a do Hiroshi Kamiya, a voz dele no anime. Foi muito louco, eu até fiquei meio "que?" das ideias, hahaha. Eu olhava pra ele e ficava "até que esse cara parece mesmo o Ego".
Quanto ao resto do elenco, acho que dá pra falar um pouco do Kaito Sakurai que interpretou o Bachira e o Koga Yudai (do &TEAM) que fez o Nagi. Os dois também ficaram bem legais, o Bachira ficou com a essência dele mesmo meio doido das ideias e o Nagi também, naquela coisa mais tranquilinha.
Eu não fazia ideia de que Koga era o Nagi, porque eu não acompanho nada do &TEAM, hahaha. Acho que foi por isso que mais da metade da sala tava lá com photocard, e aí o pessoal gritava quando o Nagi aparecia e eu não entendia o porquê, hahaha.
Só um desabafo mesmo, mas uma coisa que me incomodou, e não foi em relação ao filme nem a atuação do Koga, mas foi a atitude das pessoas de dentro da sala. Como metade era fã dele, toda cena, mas toda cena mesmo que ele aparecia, as meninas ficavam gritando e elogiando ele como se estivessem num show e não numa sala de cinema.
Eu tô só falando desse ponto em específico, porque mesmo que eu já conhecesse a história e soubesse de tudo que acontece, eu senti que não consegui aproveitar e prestar tanta atenção por conta dos gritos das meninas da frente. Mas isso não é um problema do filme em si, e sim da minha experiência dentro da sala. Pensando nesse ponto, pra quem não conhecia o anime ou o mangá, deve ter sido bem mais penoso.
Isso sem contar o fato das pessoas ficarem tirando mil fotos durante a sessão por causa do moço. Mas né, enfim. É só um mini desabafo aqui, mas não tem como você não reparar num celular brilhando numa sala escura e a sua atenção não dispersar. Pensando que esse filme ainda por cima não tinha muitas sessões pra rever, foi uma coisa bem ruim.
Mas voltando para o filme, ou pelo menos do que eu ainda lembro dele, apesar da duração de 2 horas, eu achei que não ficou cansativo. Talvez um pouco corrido, porque no anime também tem algumas profundidades a mais que aqui eles acabaram cortando um pouco. Mas sinceramente, faz sentido e no geral acho que dá pra acompanhar, porque a parte principal já é explicada logo no começo.
Eu até que senti que passou rápido, principalmente porque a dinâmica dos jogos era bem empolgante e acabava te prendendo. Dá para acompanhar as jogadas. Alguns personagens acabaram ficando mais apagados, porque o filme tem que correr com a história e os jogos, mas sinceramente, acho que nesse ponto não faz tanta diferença.
Os cortes de câmera e os movimentos dos atores também estavam muito bons. Eu achei simplesmente incrível os passos do Bachira, porque se o ator dele fez aquilo mesmo, meu amigo... o homem está de parabéns, de verdade.
Outra coisa que gostei também, é que eles colocaram os desenhos dos participantes iguais aos do anime, com aquele estilo meio "Danganronpa". Eu achei isso bem legal, porque eles claramente poderiam ter só colocado a foto dos atores ali e acabou. A maquiagem e os uniformes também foram bem adaptados, e apesar de terem personagens que no anime são mais cartunescos, no filme eles não ficaram ruins para o meu gosto. Não trazer tudo de um jeito muito realista foi bom nesse ponto.
Também teve a música da Ado, mas eu não acompanho ela, então eu acabei não reparando muito... podem vir me matar, mas é verdade. Eu só me toquei quando os créditos subiram... Mas a música é legal, hahaha.
Enfim, no final eu achei que esse filme foi muito melhor do que eu tinha imaginado. Como eu gosto relativamente de Blue Lock, eu não estava com muita expectativa para um live action, mas fiquei feliz de ter saído da sala surpreendida no sentido bom. Eu até fiquei animada com a ideia de eles poderem fazer a continuação, porque pelo final, deu a entender que é muito provável que eles façam alguma coisa. Para mim, valeu a pena.
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