Há algum tempo tinham me falado sobre um livro de uma escritora chamada Banana Yoshimoto. A autora possui diversas obras traduzidas para o português do Brasil e é conhecida por criar histórias delicadas, que misturam melancolia, cotidiano e emoções silenciosas.
No livro que vou comentar hoje, Tsugumi, Yoshimoto explora temas como amizade, juventude e a fragilidade da vida através de uma personagem tão cruel quanto vulnerável.
Dona de beleza hipnótica, Tsugumi padece de uma doença crônica, que a mantém em permanente risco de vida. A saúde debilitada, no entanto, não inibe uma personalidade despótica e cruel: a delicadeza é algo que passa longe de seu repertório de virtudes. Para conviver com Tsugumi, doses cavalares de paciência e resignação são recomendáveis — Maria Shirakawa que o diga, bem como quem mais se colocar em seu caminho.
O relacionamento ao mesmo tempo afável e tortuoso entre as primas será testado nas próximas férias de verão, quando Maria aceita o convite de Tsugumi para voltar à cidade natal a fim de passarem uma última estada juntas. Ali, muito além de matar saudades da maresia e das caminhadas na areia com o cãozinho Poti, Maria viverá dias incríveis. Depois daquele verão, nada será como antes.
Esse foi, na verdade, o primeiro livro que li dessa autora e comecei a leitura sem muitas expectativas. Para minha surpresa, a narrativa foi bastante fluida, e algo que gostei muito foi a forma como a autora constrói uma melancolia delicada, sem soar apelativa.
Desde o começo, Yoshimoto consegue criar uma atmosfera de nostalgia que me chamou bastante atenção — mesmo eu sempre tendo vivido em uma cidade grande. As memórias de juventude vividas durante um verão, algo muito comum em histórias japonesas mais juvenis, me fizeram sentir como se eu também fizesse parte daquele momento. As lembranças de Maria com Tsugumi são narradas de maneira cuidadosa, mostrando não apenas os acontecimentos em si, mas também os pensamentos e sentimentos da narradora em relação à prima.