Praticamente depois de um ano sem lançar música nova, finalmente o novo EP do Soma Saito, "Nuance", lançou hoje, dia 5 de novembro! Eu de verdade fiquei mega animada, porque dessa vez ele decidiu trazer uma coisa um pouco mais variada do que no "Fictions". Inclusive essa capa do CD é provavelmente a minha coisa favorita com essa textura que parece de pinceladas e as cores pastéis - que convenhamos, combina muito com ele.
Hoje, vou falar um pouco desse EP e das minhas impressões e sensações que eu tive com ele. Já adiantando que foi uma grande viagem. Ele está disponível no Spotify.
Antes de começar a falar das músicas em si, eu queria dizer que ouvir "Nuance" foi uma experiência muito nova. Isso porque o Soma, até onde eu me lembro, sempre fez os álbuns e EPs tendo em mente a ordem das músicas e um conceito mais definido. Não é à toa que eu falo que ouvir as músicas dele é basicamente como ler um livro.
Mas aqui — e ele mesmo disse isso em entrevistas e programas — a ideia era não ter um conceito, e ser mais um compilado de músicas que ele fez mesmo. Inclusive porque todas as faixas são muito diferentes umas das outras, o que sinceramente é incrível e mostra realmente como o Soma é um artista muito versátil.
Inclusive, foi muito legal que algumas músicas lançaram mais cedo, então eu tive tempo suficiente para tentar entender e sentir um pouco melhor cada uma. E exatamente por isso que inclusive está dando para postar o texto hoje, no dia do lançamento.
Setlist
M1. lol
M2. afterschool
M3. マヨヒガ(Mayohiga)
M4. 落日(Rakujitsu)
M5. rain shoes
Secret Track
M6. Ham The Star
"Nuance" abre com a M1. lol. Vou ser bem sincera — perdão por isso, inclusive, sério —, mas infelizmente a primeira coisa que me veio na cabeça foi o LoL(sim, aquele jogo). Eu sei que não tem nada a ver com isso, mas foi o que veio na minha cabeça na hora, hahaha.
Essa é uma música muito animada, e me lembrou um pouco a vibe do Riot! e do Summerholic!, junto com um pouco da sensação divertida e até inocente, como se refletisse a parte legal da juventude.
Inclusive uma coisa que eu achei muito fofa foram os sons de bolha estourando e de uma latinha abrindo, é muito vibe anos 2000. Parecia muito abertura de série da Disney. E eu amei que no final parece que ele dá uma risadinha muito fofa – eu quase explodi de fofura. Com certeza é o tipo de música que eu colocaria para começar o meu dia, e provavelmente farei isso nos próximos dias.
Mas se tem uma coisa que eu gosto muito nas músicas do Soma é como cada pessoa as interpreta algumas faixas de um jeito diferente. E isso aconteceu com a M2. afterschool. Fazia muito tempo mesmo que eu não ouvia uma música que me desse uma sensação de nostalgia tão forte igual essa. Principalmente porque ela me remeteu muito não só as músicas de rock dos anos 2000 que eu ouvia muito com o meu irmão, mas memórias de colégio mesmo.
Uma das coisas que eu mais gostei de afterschool, é que essa é uma música que aborda mesmo os dias escolares e momentos "pós aula". Acho que por causa disso, a sensação de proximidade e nostalgia foi mais forte — coisa que eu não sentia tanto com as músicas do Soma, com algumas ressalvas, claro.
Eu até escrevi num post do meu Instagram de arte sobre como essa música me lembrou bastante da minha época do colégio e do sentimento que eu tinha sobre querer sair de lá. Dos momentos que eu imaginava a "luz" fora da escola e que eu tinha a sensação de querer estar em outro lugar; de sentir que o que eu estava fazendo e o esforço que eu fazia para tentar estar ali estudando e tentando passar de ano às vezes parecia meio inútil e um tanto solitário.
Juro que antes do Nuance inteiro lançar, eu fiquei com essa música na cabeça e refletindo sobre ela por um fim de semana inteiro. E inclusive foi muito legal, porque quando ela lançou, aconteceu uma experiência bem interessante no Twitter, com várias pessoas — e amigas minhas do FC inclusive — falando um pouco como essa música as tocou e fez lembrar de memórias do colégio também. Foi simplesmente incrível.
O MV dessa música também é maravilhoso, eu simplesmente amei que o Soma apareceu pintando num quadro com o outro garoto, como as cenas do garoto riscando o papel também foi muito bem filmado. Eu, como artista, me senti muito representada nesse momento, então fiquei feliz de verdade!
Seguindo para a M3. マヨヒガ(Mayohiga), juro que eu levei um susto com essa música quando ela lançou, porque a diferença de afterschool para ela é bizarra. Mas outra coisa que eu sempre gosto muito no Soma é como ele é bom em quebrar as suas expectativas — chegando igual um trem em alta velocidade — e fazer músicas em estilos completamente diferentes. E foi exatamente isso que aconteceu, porque diferente de afterschool, essa música começa bem pesada, e até onde eu me lembro é a primeira vez que ele canta desse jeito mais pesado, meio rasgando.
A primeira coisa que eu pensei quando eu vi o nome dessa música foi num anime de 2016, que tinha um nome parecido com esse e chamava Mayoiga (迷家-マヨイガ-). Eu sinceramente não lembro se uma coisa tem a ver com a outra, mas até onde pesquisei, Mayohiga é um outro jeito de falar Mayoiga. A outra coisa, é que Mayoiga é um tipo de casa meio abandonada, e tem toda uma mística por trás dela de que se uma pessoa entra lá, ela nunca mais consegue sair.
E o que acontece nessa música é algo desse tipo. Inclusive o Soma usa a palavra 迷い家 (mayoika, que é a casa perdida), então, faz sentido de um certo modo. Além disso, uma coisa que eu achei pegando a letra de ouvido — coisa que foi extremamente difícil — é que a ideia dela é um pouco parecida com mirrors, do EP Yin/Yang. Digo isso porque ambas têm essa coisa de você se perder dentro de si e não saber mais a diferença entre o que é real ou não; de não conseguir entender o que está sentindo.
A diferença é que em mirrors o eu lírico encara o próprio reflexo no espelho, enquanto em Mayohiga, é como se ele entrasse no espelho e fosse transportado para essa casa que ele não consegue mais sair.
Além disso, ao traduzir um pouco da letra para ver se eu conseguia compreender melhor, o que deu a entender é que o eu lírico não está só perdido e confuso, como também está se sentindo quebrado e sendo assombrado por "retratos póstumos", assim como o Soma escreve na letra.
É como se fosse uma espiral de autonegação, meio que um delírio junto de uma vontade de renascer. Como se ele estivesse colapsando e delirando. Acho que a sensação de que essa música me lembrar mirrors é por conta desse caos e o conflito interno do protagonista. E isso junto do instrumental mais pesado, principalmente da guitarra e da bateria fez essa sensação se intensificar, no meu caso.
Essa foi uma música que quanto mais eu tentava pensar sobre ela, mais eu ficava perplexa, então eu decidi parar por aqui antes que a minha cabeça começasse a fritar sozinha.
M4. 落日(Rakujitsu). Se tem uma coisa que eu dei graças à Deus nesse EP, é o contraste que ele tem. Essa é uma música muito gostosa de ouvir, ainda mais depois de Mayohiga, já que o instrumental é bem mais leve.
Rakujitsu, em japonês, é um dos jeitos de falar "pôr do sol", mas parece que é num sentido mais figurado de "fim/declínio das coisas".
Uma coisa que essa música fala é sobre como os dias podem ser muito cruéis, mas você não precisar reconstruí-los de uma forma boa e necessariamente positiva. Ou seja, eles podem ser uma mentira também.
Uma das minhas amigas inclusive interpretou isso como uma resposta para o "Fictions", já que esse álbum aborda sobre ficções, obviamente. Talvez essa resposta seja no sentido de "nem tudo precisa ser real também", trazendo essa coisa entre o que é verdadeiro e o que não é.
Sabe aqueles momentos que a gente começa a fingir que está tudo bem e tenta consertar tudo, mas não dá certo? Então, traduzindo a letra, uma outra sensação que me deu é como se essa música fosse uma resposta para isso. Foi como se o Soma dissesse que está tudo bem, mesmo que você não consiga entender, mesmo que não consiga resolver as coisas.
Mesmo que as coisas sejam difíceis e você perca uma parte de si no caminho, mesmo que as coisas sejam falsas e clichês sejam ditos, até essas palavras podem tocar de alguma forma.
Sinceramente, para mim essa música foi bem reconfortante, principalmente nessa questão de que às vezes eu particularmente sinto sobre ter que entender às coisas ao meu redor — até porque vira e mexe eu tenho dificuldade nessa parte.
Finalmente chegamos em M5. rain shoes. Um pouco antes do EP lançar, eu troquei umas ideias com umas amigas de fora sobre o título dessa música. Eu não comentei, mas no livro Kenkō de Bunkateki na Saitei Gendo no Seikatsu, que eu fiz a review outro dia, tem um texto que o Soma escreveu que chamava レインブーツを履いた日(Rain boots o haita hi - O dia em que eu calcei as botas de chuva). Eis que a minha amiga lembrou disso e nós começamos a teorizar sobre essa música poder ter relação com o texto.
A princípio, o essay fala mais sobre memórias que o Soma tinha com o tio dele, da primeira guitarra que ele ganhou e de botas de chuva que ele tinha encontrado junto da guitarra num dia em que ele estava arrumando a casa. Além disso, ele narra momentos de quando os dois iam juntos assistir à shows e beber. É um texto bem bonitinho e muito gostoso de ler, principalmente pelo modo que ele fala sobre as memórias com o tio, as botas, a guitarra e a música.
Mais ou menos da metade pro fim do texto, o Soma fala do momento em que o tio dele teve o primeiro filho, e por conta disso, o tempo que eles passavam juntos diminuiu. Inclusive tem uma hora que ele escreve que eles iam assistir à um show juntos, mas no final o tio não pôde ir. Com isso, o Soma acabou indo sozinho e ele literalmente escreveu que sentiu que dali pra frente esses momentos que eles tinham juntos diminuiriam — e foi o que de fato aconteceu.
Conectando esse texto com a música, rain shoes fala sobre alguém que partiu. Se eu não me engano, na entrevista o Soma fala que é mais a sensação de um amigo que era muito querido e que foi embora, no sentido de tomar um caminho diferente na vida. Além disso, nessa canção o Soma também fala sobre a voz dele não chegar em ninguém quando a chuva parou, e que ele sempre acabava esquecendo as coisas importantes — provavelmente no sentido da importância que essa pessoa tinha para ele. Mas para mim, sinceramente, essa música também tem muito a ver com o texto que ele escreveu e foi isso que me fez começar a chorar de verdade.
Apesar do instrumental de rain shoes ser muito gostosa e os primeiros 15 segundos terem me lembrado do The Album Leaf, ela até que tem uma letra bem triste. Particularmente, é quase no nível de Ame no Niwa do Fictions, mas um pouco diferente — até porque eu pessoalmente acabo associando a partida de Ame no Niwa com o falecer de alguém que era muito importante.
Uma das minhas amigas traduziu a letra de ouvido para o inglês e eu acabei lendo antes do EP lançar no horário do Brasil. E sem brincadeira, meu olho começou a lacrimejar com a tradução que ela fez — e eu ainda nem tinha ouvido a música naquela hora.
Para mim o mais curioso é que como o instrumental dessa música foi muito gostosa de ouvir, principalmente na primeira metade. No começo eu não tive muito essa sensação tão forte de ser algo triste. Até começar a prestar atenção na letra e ouvir a guitarra na segunda parte. É como se ele colocasse um pouco da mudança que aconteceu através do instrumental.
Inclusive ler a letra e a entrevista com atenção e ouvir a música me fez lembrar de coisas que eu passei também. Principalmente sobre isso de que às vezes, por mais que você goste muito de alguém e sinta que essa pessoa é muito importante para você, a vida faz com que os caminhos se separem mesmo. Mas está tudo bem, porque o que importa no final são as memórias que você construiu com ela, como você vai guardar isso com carinho e como elas vão permanecer na sua memória como uma pós-imagem.
Vendo por esse lado, ao mesmo tempo em que rain boots soa meio triste, para mim, particularmente, ela traz um pouco dessa coisa de valorizar os laços e as relações com as pessoas que a gente convive. É aí que se cria não só um contraste, como uma sutileza também, e isso eu achei muito legal e bem sensível.
Inclusive na entrevista que o Soma deu para o Rakuten (texto em japonês), ele comentou que chorou várias vezes durante a produção dessa música, não só porque ela fala sobre separação, mas porque dessa vez parece que ele realmente colocou algo pessoal ali.
Eu quase comecei a chorar de novo só de ler isso, mas ao mesmo tempo achei muito bonitinho que nessa entrevista ele comentou que chorou muito, mas que estava bem. Sério, eu queria dar um abraço nele.
E uma coisa que eu realmente adorei foi essa parte da entrevista que ele deu:
・ O refrão e o arranjo foram incríveis! Foi perfeito.
Saito: Me pergunto o que é. É uma música sobre "alguém que é muito importante para mim, mas que nunca verei novamente". Dito isso, não gostaria que as pessoas ouvissem nesse sentido. Ficaria feliz se ela transmitisse um sentimento cru e sincero, em vez de beleza. Acho que o significado mudará para cada um que ouvir, mas, de certa forma, acho que essa é a música mais pessoal de todas.
Uma outra coisa que eu gostei muito, é que eu consegui trocar um pouco da minha impressão sobre essa música com a pessoa que fez o arranjo, o KYOTOU-O. Eu comentei sobre essa coisa da dualidade de perder alguém importante e das lembranças bonitas que compartilhamos com ela. E ele comentou exatamente sobre essa coisa de "viver com as memórias de alguém que perdemos", então, por mais que eu tenha dito o que eu disse em cima, também dá pra ter essas duas interpretações (por enquanto, haha).
Inclusive, muito obrigada pela resposta!! *muitos choros*
Para mim essa é a coisa mais legal, acho que não só desse EP, mas das músicas do Soma no geral. Ver como você se sentiu em relação à uma música e discutir isso com as outras pessoas é incrível. Sinceramente é algo que eu sinto um pouco de falta e que eu gostaria que tivesse mais. principalmente em português.
Mas é para isso que eu tenho esse blog e às vezes tento traduzir as letras, não é mesmo, hahaha.
Particularmente, a experiência dessa vez foi muito legal mesmo, não só de sentir as músicas e conversar com as minhas amigas daqui do Brasil, do Japão e de outros países também, mas com o próprio KYOTOU-O sobre isso. Eu de verdade não estava mesmo esperando por isso! Muito, muito obrigada mesmo!
Cada conversa e reflexão me trouxe uma percepção nova, e inclusive me ajudou bastante a elaborar esse texto enquanto tentava entender sobre tudo que eu senti, então obrigada todo mundo que veio trocar uma ideia comigo em várias línguas!
Extra: M6. Ham The Star. Essa é a Secret Track desse EP que só vem na versão física — e que eu finalmente consegui depois de 3 meses! (Sim, eu estou escrevendo essa parte em fevereiro de 2026, hahaha)
Ham The Star foi uma música que eu também senti um pouco da sensação de nostalgia, talvez por conta do estilo como a introdução foi feita. Não sei, mas na hora que ouvi, eu lembrei do Hamtaro (provavelmente foi só porque ele também é um hamster). A melodia em si também parecia muito com algo que entraria nos filmes que eu assistia quando era mais nova, e talvez porque essa música é do ponto de vista do hamster — e nessa época tinham muitos filmes em que os bichinhos também se expressavam como pessoas.
Ela fala basicamente sobre a vida de um hamster e como ele queria gostaria de se tornar uma estrela, mesmo que isso seja fosse um pouco solitário. Eu achei bonitinho que mesmo com essa parte da solitude, o Ham continuaria brilhando com a sua própria luz, virando a própria estrela (daí vem o trocadilho com "star"). Com certeza daria para fazer um MV animado muito fofo só dessa música.
Por fim, queria dizer que Nuance realmente é incrível. Eu sempre acho muito legal conversar sobre as músicas do Soma, mas dessa vez acho que foi muito mais interessante, exatamente porque ele conseguiu explorar várias coisas em um CD só, não só em relação ao estilo das músicas, mas as próprias letras, a abordagem e os sentimentos delas. É sempre muito incrível ver como ele consegue se reinventar de formas que eu jamais imaginei.
Foi maravilhoso, não só de ouvir e compartilhar sensações, mas principalmente de pesquisa! Com certeza posso dizer que Nuance é um dos meus EPs favoritos de todos!
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