quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Review: Daruma: Identidade

    Há alguns meses, eu escrevi o texto sobre o primeiro quadrinho do Monge Han que foi lançado pela Editora Pitaya, Daruma: Perseverança. E, agora em novembro, a sua continuação, Daruma: Identidade, lançou pela mesma editora. Quem tiver interesse em comprar, ele está disponível para compra online na Amazon, em livrarias e na própria loja da editora.
    Eu até demorei um pouco mais do que eu pretendia para escrever esse texto, porque eu realmente chorei lendo esse volume — sim, foi uma coisa bem inesperada, ainda mais considerando que eu não choro muito lendo.


    O primeiro volume de Daruma já tinha me emocionado bastante. Eu lembro de ter comentado no texto anterior que uma das coisas mais legais do Monge é como ele consegue equilibrar muito bem o humor com uma crítica social, cenas de ação e elementos das culturas que vêm do Oriente. E nesse novo volume, é exatamente isso que acontece também.
    Se em Daruma: Perseverança nós acompanhamos um pouco da história da Yumi, aqui, o protagonismo da história foca mais no Yangui, seu melhor amigo e que também trabalha com ela no Cisne Dourado. A relação entre os dois continua muito forte aqui, e enquanto a Yumi continua se esforçando para conciliar suas duas identidades, o Yangui continua a apoiando. Até um dia em que um novo ataque ao Cisnce Dourado acontece e mexe com a vida dele amigo, fazendo com que ele tenha que tomar decisões difíceis para tentar salvar aqueles que ama.
    Assim como no volume anterior, aqui também o Monge traz referências bem legais de São Paulo, e como uma pessoa que nasceu e morou na cidade, eu realmente achei que tudo continuou muito bem ilustrado. Principalmente o medo de ser mesário durantes as eleições, hahaha.
    Em relação às ilustrações e enquadramentos, uma das coisas que eu mais gostei com certeza foi a quebra da quarta parede, e não só isso, como também o fato de que ele conseguiu fazer com que os personagens brincassem dentro do próprio limite dos quadros! Eu acho que só com isso já dá para imaginar o que acontece e eu não quero falar muito para não estregar a surpresa. Mas, de qualquer jeito foi genial, eu me diverti demais!
 
    Outra coisa que eu realmente mais gostei nesse volume, foi conhecer mais do Yangui e a história dele. Talvez por ele ter uma ascendência chinesa isso também fez eu me sentir um pouco mais próxima dele. Inclusive, aqui nesse volume, o Monge também acaba reforçando aquela coisa do "preconceito disfarçado de forma sutil" — que era mais ou menos o que o Yangui passava.
    Mas acho que mais do que a representação do preconceito e como ele aparece de formas sutis — coisa que eu particularmente muito importante de ser representado  — o que realmente me tocou foi uma cena muito específica da mãe do Yangui, e dela falando sobre o que realmente importa. No caso, na cena ela fala que mais do que você ser "categorizado" e "generalizado" pelas pessoas como "japa", o que realmente importa é a sua personalidade, o que você ama, quem você ama, as suas origens e os seus valores. É isso que realmente vai mostrar e falar quem você é de verdade para os outros e para você mesmo.
    Essa cena da mãe do Yangui foi realmente algo que me tocou bastante. Eu tive que parar de ler por conta da dor de cabeça que começou a me dar pelo choro. Isso porque de uns tempos pra cá, eu tenho reparado um pouco nessas falas bem sutis das pessoas com esses preconceitos leves — principalmente em locais e regiões que não tem tantos descendentes de asiático assim, mesmo aqui dentro do Brasil —, mas que para quem ouve às vezes pode trazer várias reflexões e tipos de pensamento.

    Claro que nem sempre isso é culpa das pessoas em si, e nem acho que todo mundo que fala certas palavras e expressões tem a intenção de prejudicar ou machucar o outro. No entanto, acho que essa coisa já ficou tão enraizada dentro do Brasil que realmente as pessoas acabam falando meio sem pensar.
    Com certeza tem gente que não fala as coisas por mal, mas também tem quem fale. Assim como também tem quem se importa e quem não se importa. De qualquer jeito, eu acho que e a discussão sobre esse tema é muito válida e  trouxe uma mensagem bem clara, mesmo tendo sido ilustrada de um jeito bem mais "passivo".

    Eu comentei sobre isso, porque "Daruma: Identidade" realmente aborda mais essa coisa de você realmente não se deixar levar pelo que as pessoas principalmente as que você não conhece  pensam de você, ou melhor, pela impressão que elas têm de você.
    Você simplesmente pode ser quem é, do jeito que quiser e como bem entender. O seu rosto e os seus traços —  nesse sentido generalização —  não é o que te define como pessoa, mas sim as suas crenças, as suas convicções e principalmente a sua atitude em relação às coisas e situações. Você pode ser o protagonista da sua própria história levando as suas raízes junto de si sempre com orgulho.

    Eu simplesmente estou adorando mesmo essa série do Daruma, e eu acho que tanto para quem é amarelo brasileiro e para quem não é também, essa é uma das obras mais importantes e que continua trazendo reflexões muito importantes, mas sempre com bom humor.
    Não vejo a hora de continuar acompanhando essa história!

    E inclusive um agradecimento muito especial para o Monge e para a Editora Pitaya por terem selecionado a minha ilustração para aparecer no final desse volume!! Foi uma surpresa muito feliz porque eu realmente não estava esperando! Eu quase tive um ataque na hora que eu encontrei a minha ilustração! Muito obrigada, de verdade!

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