Faz muito tempo que eu não falo de doramas por aqui. Na realidade, eu não sou muito chegada em doramas, nem entro muito na Netflix. Mas dessa vez eu decidi acompanhar um por conta do Fumiya Takahashi (se vocês lembram, eu falei dele no texto anterior).
Pois bem, então hoje eu vou falar sobre o "Até a Camiseta Secar" (Tシャツが乾くまで - T-shatsu ga kawaku made), que tem 10 episódios e terminou esse mês. Também vou aproveitar para colocar um pouco da frustração (?) que eu tive que passar sozinha durante uns meses, hahaha.
Até a Camiseta Secar conta a história de Sakiko, uma mulher de 40 anos que trabalha numa revista de noivas e que tem um casamento feliz. Porém, um dia seu marido se envolve em um acidente, e isso acaba revelando um segredo sobre ele.
Como fazia muito tempo que eu não assistia doramas, eu fiquei bem intrigada com esse aqui. Esse em especial teve um primeiro episódio bem chocante, e acho que foi a segunda vez que eu chorei em um dorama. Até porque eu achei que seria algo sobre camisetas secando, né, e não sobre um acidente.
Ao mesmo tempo, eu achei bem interessante o fato de que tudo acontece em volta do acidente e da Sakiko indo atrás de pistas sobre o que aconteceu naquele dia com seu marido, Mitsuru. Outros personagens que são bem importantes aqui são a Azusa, o Itsuki, o dono de uma livraria chamado Miyauchi e o Naoto, que trabalhava com o Itsuki. Inclusive, o Naoto é o Fumiya Takahashi.
Os episódios basicamente se resumiam à Sakiko e ao Itsuki tentando ir atrás de pistas sobre o que aconteceu no dia do acidente, entender por que seus parceiros estavam juntos naquele dia e qual era a relação que eles tinham.
Uma das coisas que eu mais gostei nesse dorama foi a relação que a Sakiko e o Itsuki acabaram criando enquanto investigavam o caso por conta própria — até porque a polícia não ia conseguir ajudar em muita coisa. A dor de perder alguém querido num acidente, a ansiedade e o medo de não encontrar o seu parceiro e ter alguém com quem compartilhar esses sentimentos faziam com que os dois se sentissem um pouco melhor.
Aí vocês me perguntam: mas tá, e o que isso tem a ver com o título do dorama?
Pois bem, a frase "até a camiseta secar" tem muito sentido aqui, pois a lavanderia que os personagens frequentam é basicamente uma das pistas mais importantes e um dos principais locais onde acontecem os diálogos e as suposições.
Inclusive, achei isso bem interessante, porque tanto a Sakiko quanto o Itsuki usam esse espaço e o tempo limitado da máquina de secar roupa para interagir no começo. Pode até parecer que é pouca coisa, mas é ali que acontecem diálogos e provavelmente alguns dos momentos mais importantes da série.
Outra coisa que eu também achei bacana é que você acaba pensando junto com os personagens sobre o que poderia ter acontecido e vai tentando juntar as pistas que os personagens secundários acabam dando. Isso também foi bem legal, porque tinha gente ali que claramente sabia detalhes das coisas, mas não compartilhava.
Basicamente, toda semana o dorama te lançava coisas para você tentar montar o quebra-cabeça na sua cabeça e entender o caso — por mais que eu achasse isso bem confuso no começo. Mas, no final, pelo menos para mim, ficou aquele ar de "ah, então era isso". Inclusive, eu fiquei meio arrependida de ter xingado tanto o Mitsuru — perdão, Matsuyama Kenichi, eu te amo, tá.
Claramente não era só um dorama sobre deixar a camiseta secando.
Apesar de ter algumas controvérsias, principalmente na relação entre o Mitsuru e a Azusa, que fica bem mal explicada — provavelmente eles fizeram isso de propósito, exatamente para deixar a gente, como espectador, tentar ligar os pontos —, no fim eu achei que fez sentido. Inclusive a parte do Mitsuru e o motivo dele ter agido do jeito que agiu. E foi por isso que eu falei que fiquei meio arrependida de ter xingado tanto ele toda semana.
Para mim, o final do dorama também funcionou bem, mas não dá para negar que eu fiquei com dó da Sakiko, porque ela amava o Mitsuru e, para mim, acabou sofrendo bem mais do que deveria. E isso era uma coisa que inclusive me deixava meio brava, porque, mesmo assim, ela ficava muito presa às "lentes cor de rosa", como eles falavam dentro do dorama.
No caso da Sakiko e do Mitsuru, ambos tinham uma relação até que boa, mas eles raramente conversavam sobre as coisas e falavam o que sentiam. Já o Itsuki e a Azusa também tinham uma relação boa, mas isso obviamente não impedia que ela escondesse coisas dele.
O que eu acabei pensando com esse dorama é que realmente não tem como saber 100% sobre o seu parceiro e que, obviamente, cada pessoa vai interpretar as coisas de acordo com o que sabe. No fim, você tem que tentar discernir as coisas a partir das informações que tem — e nem sempre vai conseguir enxergar tudo.
E é aí que entram as "lentes cor de rosa" que eles mencionam. A gente acaba enxergando as pessoas e as situações a partir do que conhecemos, do que acreditamos e da relação que temos com elas.
Mesmo convivendo com uma pessoa por anos, sempre vão existir coisas sobre ela que você não vai saber. Ou seja, talvez seja basicamente impossível conhecer alguém completamente.
Por mais que eu tenha passado semanas tentando descobrir o que diabos estava acontecendo, xingando o Mitsuru, desconfiando dos personagens e ficando com dó da Sakiko, acho que eu gostei de Até a Camiseta Secar exatamente por conta disso.
No fim, eu acabei gostando do final e achei que fez bastante sentido, principalmente pensando pelo lado da Sakiko.
Talvez eu tenha começado a assistir isso só por causa do Fumiya, mas quem diria que eu ficaria até o final por conta da história. Ainda mais considerando que eu não sou o tipo de pessoa que costuma assistir doramas. E acho que isso já diz bastante coisa, hahaha.
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