Novembro chegou, e com ele veio mais um lançamento do meu querido Soma Saito!
Faz tempo que eu não comento nada sobre as músicas dele, desde o EP passado, Nuance. Por incrível que pareça, faz praticamente um ano desde que esse EP lançou, quem diria que o tempo passaria tão rápido, né.
Pois bem, hoje eu vou falar sobre o mais novo lançamento dele, "nameless", que lançou agora no dia 4 de novembro. E sobre a Secret Track, quando a minha cópia física chegar eu vou incluir ela aqui. Eu até pensei em esperar, mas não faz muito sentido, considerando que você só consegue ouvir com a versão física.
E, como sempre, o CD está disponível para ouvir no Spotify, e para compra, vocês podem comprar pela CD Japan, que foi de onde eu pedi. Inclusive, eu acabei pedindo a versão com o Blu-ray, porque ela vem com o show da tour desse ano, o Blue Adolescence.
Se tem uma coisa que eu sempre falei que eu gostava muito nas músicas do Soma, é que vira e mexe ele tinha algumas músicas que me remetiam às estações do ano ou coisas relacionadas à natureza, como Deracine, Summerholic e Petrichor. Mas todas elas sempre vieram separadas em singles ou álbuns, e, dessa vez o Soma trouxe 4 músicas novas num pacote só!
Mesmo dizendo isso, na realidade ele lançou duas delas antecipadamente no meio do ano, durante a tour Blue Adolescence.
Pois é, seria muito difícil dizer que eu não ia gostar desse CD, ainda mais juntando uma coisa que eu gosto tanto quanto as estações do ano.
Mas uma coisa que eu achei muito legal, antes de comentar sobre as músicas, é que o Soma disse numa entrevista para o Rolling Stone Japan (entrevista na íntegra em japonês), que ele considerava que esse EP não tem uma ordem exata para se ouvir. Isso é bem interessante, porque outros CDs dele meio que tinham um sentido e uma ordem - como por exemplo o Yin/Yang, que eu já escrevi uma review aqui.
Inclusive uma coisa que eu gostei muito é que, mesmo ele dizendo isso, a ordem padrão desse EP segue mesmo a ordem das estações do ano, começando pela primavera, passando pelo verão e seguindo para o outono e o inverno (e a Secret Track).
E é com isso que começamos com a M1. Sakura Chill. Essa foi uma das músicas que saíram durante a Tour Blue Adolescence. A ideia dessa música aparentemente era algo como uma música de amor — inclusive o Soma dizia que essa era como uma continuação espiritual do Date, uma de suas músicas mais famosas.
Eu particularmente gosto muito dessas músicas que são mais tranquilas, e Sakura Chill foi uma que me pegou de surpresa, ainda mais considerando que o Soma não traz muito esse estilo.
O instrumental mais pop, com um bpm mais tranquilo me deu a sensação de um passeio bem gostoso. Inclusive, quando ela lançou era começo quase primavera aqui no Brasil, então sair ouvindo ela na rua foi muito gostoso. Me lembrou bastante quando as cerejeiras floresceram aqui.
Mas uma coisa que eu gosto muito em Sakura Chill é a maneira como ele fala que as coisas não podem continuar as mesmas: elas mudam, e essas mudanças fazem a gente mudar junto. E é bem a ideia que as flores de cerejeira têm lá, uma vez que a floração delas é bem curta. Combina demais com a ideia desse EP.
Já M2. Killa Killa foi a música que lançou durante a tour também, bem no meio do verão desse ano. Essa faixa é muito interessante, porque ela fala de um amor, mas não de um jeito bonitinho. Inclusive tem uma brincadeira no nome, pois Killa em japonês pode ser tanto o modo de escrever "killer" (assassino, em inglês), como a onomatopeia de brilho "kira kira".
E ela faz exatamente essa brincadeira dentro da letra. Existe um contraste entre o protagonista falando sobre um amor meio doentio e essa ideia de brilhar e sofrer ao mesmo tempo. Mas mesmo assim, o Soma traz isso de um modo que você só repara se prestar atenção nas entrelinhas.
Ouvindo logo de primeira parece mais uma música sobre a protagonista estar se preocupando sobre coisas triviais como o seu cabelo, mas depois isso contrasta na segunda parte com o desejo de amor. Inclusive o estilo dela é um pouco mais pop, e isso casou muito bem também. Talvez por isso ela seja a mais próxima do verão, apesar de eu não achar tanto assim.
A M3. Autumn Leaves é provavelmente a minha favorita de todas. Eu sempre falo que eu gosto muito como o Soma faz essas músicas um pouco mais lentas e mais longas — sim, porque essa música tem maravilhosos 6 minutos e 38 segundos com uma introdução de 1 minuto mega emocional.
A sensação que me deu ouvindo essa faixa foi um pouco parecida com a de Kesshou Sekai, só que um pouco mais melancólica. Talvez por ela ser mais lenta, talvez pelo modo como ele pronuncia as palavras. E uma coisa que eu gosto muito é como o Soma consegue falar sobre a tristeza, mas de um jeito muito sensível.
Autumn Leaves não é só sobre perder coisas e isso acontecer de forma cíclica. É também sobre sentir, encarar e soltar sentimentos de tristeza, raiva, rancor e inclusive o próprio amor. Ela entra na brincadeira entre as folhas de outono que caem com a chegada do inverno, e eu senti que isso fez uma mistura muito bonita, porque aqui o Soma fala que tudo isso faz parte dele e desse ciclo.
O piano que entra no final dessa música também para mim trouxe essa ideia de que as folhas estão caindo e levando essa dor, esse sofrimento, mas sempre reforçando que isso é um ciclo e que você sempre vai passar por isso.
Simplesmente uma das melhores músicas já feitas por esse homem.
E finalmente chegamos na M4. Dry Skin, a última da versão digital. Seguindo a lógica, essa música representaria o inverno, mas sendo bem sincera ela não me deu muito a sensação do inverno, mas sim da noite. Mas foi uma ótima quebra de expectativa, eu diria.
Talvez se fosse para dizer, seria mais como a solidão que você sente à noite de não ter mais nada. Mas mesmo assim, acho que seria forçar demais dizer isso.
Nessa música ele fala mais sobre alguns machucados que não precisam ser curados, sobre deixar as coisas que você perdeu sem tocar e deixá-las apodrecerem, mas com um toque meio triste, porque no final ele não queria deixar isso para trás.
Foi daí que eu conectei um pouco com a "pele seca", até porque, mais ou menos 70% do corpo humano é feito de água, pelo menos é o que dizem. Pode ser uma brisa muito louca da minha parte, mas enquanto escrevia sobre essa música aqui, eu pensei que perder esses machucados seria como perder uma parte essencial de nós enquanto seres vivos — assim como quando perdemos a água do corpo e a pele fica ressecada.
Ou seja, é algo inevitável e que você não pode fugir, exatamente porque esses sentimentos são parte de nós enquanto pessoas e eles vão estar conosco até o dia de irmos embora daqui.
E é com isso que eu acho que o nameless fecha muito bem.
No fim das contas, eu achei que esse nameless trouxe em praticamente todas as músicas um pouco dessa ideia de ciclos que começam e se fecham, de como as coisas e os sentimentos — seja um amor ou uma sensação de solidão — vão mudando de forma enquanto a vida segue em frente.
Prestando atenção nas músicas, eu percebi nuances muito sutis que me fizeram pensar um pouco sobre como o nosso tempo passa e como a vida é mesmo efêmera.
Acho que é por isso que eu talvez tenha sentido que havia algo melancólico, mas não é um tipo que te machuca igual o Yin/Yang, por exemplo. Nameless é bem mais sutil nesse ponto, e mesmo assim ele consegue trazer à tona temas sensíveis e doloridos, mas de forma delicada, sem ser muito apelativa nem exagerada. Pelo menos enquanto eu não ouço 13月 e não trago ele para cá.
Com certeza vale a pena ouvir.

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