terça-feira, 25 de novembro de 2025

Review: The Colors Within (Kimi no Iro)

     Já faz algum tempo que eu estava procurando um filme chamado Kimi no Iro para assistir. Eu havia assistido ao trailer e lido a sinopse e achei bem interessante. Esse filme foi produzido pelo estúdio Science Saru, com direção da Naoko Yamada (A Silent Voice, K-On!) e roteiro da Reiko Yoshida (A Silent Voice, O Reino dos Gatos) e lançou em 2024, mas ele nunca chegou em nenhum streaming daqui do Brasil. Mas eis que hoje eu encontrei ele sem querer online e finalmente tive a oportunidade de assistir! Inclusive quem tiver interesse, eu assisti por aqui legendado em inglês.


    O filme conta a história de Totsuko, uma garota que tem a capacidade de ver as “cores” das emoções das pessoas. Para impedir que seus amigos e família se afundem em sentimentos ruins, ela tenta lidar com as coisas da melhor maneira possível usando sua habilidade para tal. Certo dia, em uma livraria, ela encontra uma outra menina com uma cor incrivelmente bela e um garoto apaixonado por música que está tentando formar uma banda. E é aí que a história começa.

    A primeira coisa que eu mais achei incrível nesse filme é ele abordar e conseguir representar a sinestesia. Sendo bem simples, sinestesia é um fenômeno neurológico onde a estimulação de um sentido desencadeia automaticamente a percepção de outro, criando experiências sensoriais únicas. No caso do filme, seria algo como ouvir cores e sentir sons.

    Em Kimi no Iro, além da protagonista literalmente conseguir ver as cores que as pessoas possuem internamente, ela também consegue ver como essas cores mudam de acordo com as emoções que as pessoas estão sentindo e o som que elas tocam principalmente no caso da Kimi e o Rui, que são os dois que vão formar a banda com ela mais para frente.

    Inclusive essa coisa de relacionar cores com a música é algo que particularmente faz muito sentido dentro de mim. Assim como a gente relaciona cores quentes e frias com sentimentos "bons" e "ruins", as músicas que doem e as que curam também têm um significado e transmitem uma cor.

    Sinceramente, é até um pouco difícil para mim de explicar para as pessoas e isso eu também achei que ficou bem ilustrado dentro do filme, até porque as colegas de quarto da Totsuko também não conseguiam entender e por isso não levavam ela muito a sério. Mas isso de sentir cores através da sensação e da emoção que o som passa através de um instrumento e de uma voz é algo que realmente acontece comigo.


    Outra coisa que eu gostei foi a interação entre a Totsuko e a Kimi e como elas ficaram próximas. A Totsuko é bem animada, enérgica e um pouquinho atrapalhada, mas isso cria um contraste com a Kimi, que, apesar de ser mais fechada não recusa a companhia da Totsuko e do Rui.

    Além disso, eu amei que a irmã Hiyoshiko, apesar de ser uma das irmãs da escola, é bem mais flexível em relação às outras — porque a Totsuko e a Kimi estudam numa escola católica. O modo como ela fala sobre as mentiras poderem ser "pecados" mas ao mesmo tempo não serem, e que qualquer um pode trilhar um caminho novo sempre que quiser, foi algo que eu achei bem legal. Inclusive ela é a única das irmãs que realmente parece compreender e acreditar no que a Totsuko quer fazer.


    Outro personagem muito fofinho com certeza é o Rui, mesmo sendo meio introvertido. Também ficou um pouco subentendido que talvez ele goste da Kimi, mas isso não fica realmente à tona, até porque o foco do filme não é esse.

    A única coisa que eu não gostei muito, é que para mim o filme ficou meio corrido, principalmente na parte que eles estão criando coragem para falar a verdade para os parentes. O corte para a apresentação da escola também ficou meio esquisito, considerando que isso aconteceu logo depois da cena da conversa no "training camp".

    Em relação ao visual, eu particularmente achei a transição das cores para o cenário maravilhosa. Inclusive a escolha de uma paleta de cores um pouco mais puxadas pro pastel também ficou bem agradável e suave, e dava uma sensação bem aconchegante, mesmo nas cenas que usavam a paleta com cores mais frias.

   Eu também gostei bastante que realmente tem cenas dos três protagonistas compondo uma músíca como uma banda, e também mostrando como eles compuseram tipos de música diferentes, com instrumentos e pegadas diferentes que trazem sensações completamente distintas. E isso é uma coisa que me deixou bem feliz, considerando que eu gosto de sentir coisas diferentes com música. As músicas que tocam no final inclusive são bem legais.

    Algumas cenas também me lembraram um pouco aquele filme americando chamado Sister Act, de 2002 (em português acho que chamava Mudança de Hábito), principalmente no show final com as irmãs e as outras pessoas da escola dançando e se divertindo. 


     Mesmo que a história em si não seja tão impactante nem nada, eu achei que no geral foi um jeito muito bom de representar as sensações dos sons e das pessoas.
    É um filme bem tranquilinho, então acho que vale a pena pelo menos assistir uma vez, mesmo que isso provavelmente não vá mudar a sua vida.

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